sexta-feira, 30 de março de 2012

O MEU PAÍS

Um país que crianças elimina;
E não ouve o clamor dos esquecidos;
Onde nunca os humildes são ouvidos;
E uma elite sem Deus é que domina;
Que permite um estupro em cada esquina;
E a certeza da dúvida infeliz;
Onde quem tem razão passa a servis;
E maltratam o negro e a mulher;
Pode ser o país de quem quiser;
Mas não é, com certeza, o meu país.

Um país onde as leis são descartáveis;
Por ausência de códigos corretos;
Com noventa milhões de analfabetos;
E multidão maior de miseráveis;
Um país onde os homens confiáveis não têm voz,
Não têm vez,
Nem diretriz;
Mas corruptos têm voz,
Têm vez,
Têm bis,
E o respaldo de um estímulo incomum;
Pode ser o país de qualquer um;
Mas não é, com certeza, o meu país.

Um país que os seus índios discrimina;
E a Ciência e a Arte não respeita;
Um país que ainda morre de maleita, por atraso geral da Medicina;
Um país onde a Escola não ensina;
E o Hospital não dispõe de Raios X;
Onde o povo da vila só é feliz;
Quando tem água de chuva e luz de sol;
Pode ser o país do futebol;
Mas não é, com certeza, o meu país!

Um país que é doente;
Não se cura;
Quer ficar sempre no terceiro mundo;
Que do poço fatal chegou ao fundo;
Sem saber emergir da noite escura;
Um país que perdeu a compostura;
Atendendo a políticos sutis;
Que dividem o Brasil em mil brasis;
Para melhor assaltar, de ponta a ponta;
Pode ser um país de faz de conta;
Mas não é, com certeza, o meu país!

Um país que perdeu a identidade;
Sepultou o idioma Português;
Aprendeu a falar pornô e Inglês;
Aderindo à global vulgaridade;
Um país que não tem capacidade;
De saber o que pensa e o que diz;
E não sabe curar a cicatriz;
Desse povo tão bom que vive mal;
Pode ser o país do carnaval;
Mas não é, com certeza, o meu país!

-João de Almeida Neto







fonte: Imagens Google/Vagalume

segunda-feira, 26 de março de 2012

PAMPA


A Pampa é um país com três bandeiras
e um homem que mateia concentrado,
seus olhos correm por sobre as fronteiras
que o fazem tão unido e separado!

A Pampa é um lugar que se transcende,
fronteiras são impostas pelas guerras;
"y el gaúcho", com certeza, não entende
três nomes, três brasões pra mesma terra!

O campo a se estender, imenso e plano,
alarga o horizonte "mas allá"...
Talvez seja por isso que o pampeano
enxerga além... De onde está!

Assim é o povo fronteiro,
tropa, cavalo e tropeiro
vão na mesma vez...
Pátria e querência na estampa,
somos um só nesta pampa,
mas se contam três...
Por que se contam três?

Meu verso vem de Jaime e Aureliano,
de Rillo e Retamozo - um céu azul!
Sou Bento e Tiaraju, heróis pampeanos
da forja desse Rio Grande do Sul!

A voz vem de Cafrune e canta assim,
a rima de Lugones, minha sina,
e a fibra de Jose de San Martín;
a História é quem me inscreve na Argentina!

Meu canto vem de Osíris, voz antiga
da Pampa que em meu sangue não se esvai...
Comigo vem Rivera, vem Artigas...
Legenda eu sou... No Uruguai!

Rumos dessa Pampa Grande,
viemos dos versos de Hernandez,
somos céu e chão...
Todo o pampeano, sem erro,
tem muito de Martin Fierro
pelo coração...
Dentro do coração!







Misto de diaba e de santa,
com ares de quem é dona
e um gosto de temporona
que traz água na garganta.



São os habitantes do arreio!
São os senhores do estrivo!
Não são os mesmos da tribo
que enfeitam cartões postais,
esses encilham baguais
com pradarias no olhar,
sabem de golpes no ar
e de tirões campo a fora,
quando um "pavena"se atora
cambiando o céu de lugar.