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terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

-Poema sem Título -

"Sou daqueles que vive para o espírito
Sou daqueles
que vivem perdidos nos abismos insondáveis
do imaterial.
Mas, que sentem essa atração sedutora
de desvendar o mistério do desconhecido.
Sou daqueles que vivem a existência toda
ancorado no cais oco do vácuo
e com os olhos fitos na fímbria enamorada
de desconhecidos oceanos.
Sou daqueles que estridulam desesperos
ante o turbilhão da vida
e que gritam de tédio ante o silêncio das coisas mortas.
Sou daqueles que sempre estão querendo alguma coisa
tal qual um caçador perdido na floresta,
procurando uma saída mas feliz dentro dela.
Sou daqueles que escreve um poema
querendo dizer alguma coisa
mas nada dizendo!
Sou daqueles que ao fim desse poema
sentem-se felizes por ter escrito um poema!"

-Poema sem Título - 
Edilberto Teixeira

domingo, 15 de abril de 2012


O grito de "venha boi" perdeu-se na poeira dos tempos...
Os fletes já não pisam a baba dos tambeiros pelas estradas polvorentas de saudade
Nem um sincero sequer faz contraponto aos rangidos de bastos e relinchos de tropilhas
E muitos lombilhos gastos, hoje encilham cavaletes em quartos pobres de vilas, potreiros do nunca mais, pra aonde o bendito progresso apartou os gaúchos de ontem!


Don Blanco - Lisandro Amaral

segunda-feira, 26 de março de 2012





Misto de diaba e de santa,
com ares de quem é dona
e um gosto de temporona
que traz água na garganta.



São os habitantes do arreio!
São os senhores do estrivo!
Não são os mesmos da tribo
que enfeitam cartões postais,
esses encilham baguais
com pradarias no olhar,
sabem de golpes no ar
e de tirões campo a fora,
quando um "pavena"se atora
cambiando o céu de lugar.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

CAVALO CRIOULO

CAVALO CRIOULO, da raça crioula. De médio porte, cola e quilina grossas, bem entroncado, machinhos cabeludos. Tem o seu corpo mais peludo que o cavalo inglês. - É o cavalo de "virar o xergão", resistente ao frio, ao trabalho, caborteiro de baixo. É dito o cavalo mais intelgente e por isso o preferido tanto pelo peão como pelo patrão. ito, também, o cavalo "orgulho do Rio Grande"!
Fonte: Dicionário Gaúcho do Cavalo - Edilberto Teixeira


"Tempo houve em que só tu te aventuras com o homem no deserto; foste a corruagem, a diligência, a carreta, o único veículo, o único meio de transporte. Teu casco lançou o batismo às planuras da Aaméria, ao solo misterioso de seus bosques, as suas ásperas coxilhas; tua crina foi o priemiro penacho da civilização eriçado pelo hálito do pampeano."

Delfino M. Rieth - O Cavalo Crioulo


Cavalo Crioulo: É o conjunto de animais descendentes dos cavalos trazidos da
península ibérica, no século XVI, quando pela conquista da América. Adquiriram características únicas e próprias após quatro séculos de adaptação e evolução no meio ambiente sul americano.



O PREPARO


Todo o preparo trançado
ponteado, chato ou de sola,
carece de vinte argolas
com um "passador" junto delas,
e exige só uma fivela
pra graduação do rabicho.
E a "bomba", a "trança" e o "botão"
fazem do guasqueiro um artesão
cheio de imagem e capricho.

com a sua "faca pitoca"
desquinando a lonca chata,
faz do tento um fio de prata
e o "botão" fingindo a flor.
Com a ponta do "cravador",
chuliada por mãos de esteta,
na lonca do pensamento,
a arte de tirar tentos
faz do guasqueiro um poeta.

O vento imita o guasqueiro,
cruzando a pátria gaúcha,
quando se faz, que nem bruxa,
trançando a crina dos potros.
- E o luar é, também, outro
guasqueiro de profissão,
pois, entre as sombras da mata,
com lindos tentos de patra,
vive a tranças solidão.

Edilberto Teixeira (fonte: Dicionário Gaúcho do Cavalo)

Alguns versos do meu agrado...

"A história é como o gemido da carreta
deixa um lamento de saudade na memoria dos velhos
e uma ansia de largos horizontes no coração dos moço"


"Sonhou levando pra Côrte
o gesto, o orgulho, a hombridade
e a imensa brasilidade
da brava gente pampeana.
- Foi a gesta trabuzana
que inspirou o sonho fagueiro,
pois, desde os tempos do Império,
o gaúcho e o quero-quero
sempre gritaram primeiro!"


"E só a saudade é o sinuelo
daqueles bons velhos tempos,
reculutando os momentos
de ansiado e fútil retorno.
Longínquo é o passado morno
remendado a paliativos!
Recados que se esqueceram,
velhos umbús que morreram
junto aos sonhos primitivos."



Todos de autoria de Edilberto Teixeira