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terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

-Poema sem Título -

"Sou daqueles que vive para o espírito
Sou daqueles
que vivem perdidos nos abismos insondáveis
do imaterial.
Mas, que sentem essa atração sedutora
de desvendar o mistério do desconhecido.
Sou daqueles que vivem a existência toda
ancorado no cais oco do vácuo
e com os olhos fitos na fímbria enamorada
de desconhecidos oceanos.
Sou daqueles que estridulam desesperos
ante o turbilhão da vida
e que gritam de tédio ante o silêncio das coisas mortas.
Sou daqueles que sempre estão querendo alguma coisa
tal qual um caçador perdido na floresta,
procurando uma saída mas feliz dentro dela.
Sou daqueles que escreve um poema
querendo dizer alguma coisa
mas nada dizendo!
Sou daqueles que ao fim desse poema
sentem-se felizes por ter escrito um poema!"

-Poema sem Título - 
Edilberto Teixeira

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Ah! o vento..


"Parece que o vento maneia o tempo."

E deve ser por isso que gosto tanto de ouvi-lo. Gosto de tudo calmo, como se não houvesse preocupação alguma, como se a vida nunca tivesse um fim... Não gosto da preocupação das horas, apesar de não perdoar atrasos. Na verdade gosto quando as horas não existem. Gosto da calma que o vento vem e vai, de como ele leva tudo de ruim embora e nos deixa à espera do bom. Gosto quando a noite chega mansa, e assim se transforma em dia. Gosto da espera. Gosto quando os momentos felizes demoram a passar. Gosto da demora do tempo com sua pontualidade infalível.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

João Barreiro



João Barreiro...João Barreiro...
Velho pássaro bizarro
Que dum ranchito de barro,
Amassado com carinho,
Fizeste galpão e ninho
Na maior indiferença,
E nem pediste licença
Pra mim que sou teu vizinho!

Pois na cabeça de um poste,
Na entrada do parapeiro,
Te arranjaste bem a jeito
Erguendo teu rancho forte,
Meio de esguelha p’ra o norte
Porque és muito previdente...
Eu até fiquei contente;
Dizem que dás muita sorte!

-Jayme Caetano Braum-


Nascentes efêmeras 
Em clareiras súbitas 
Entre as luzes tardas 
Do imenso crepúsculo.


 Negros megalitos 
Em doce decúbito 
Sob o peso frágil 
Da pálida abóbada 



Calmo subjacente 
O vale infinito 
A estender-se múltiplo




Inventando espaços 
Dilatando a angústia 
Criando o silêncio....




Vinícius de Moraes
"Pôr-do-sol em Itatiaia"



sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Sobre uma marca de copas...



A mesma marca, antiga, de metal e copas
ainda queima, o couro pampa, deste gado
foram cem anos, sustentando a história
de campo e de casco, nos deixado por legado.

Somos do campo, como foram os nossos..
De raízes largas, com um cerne, Teixeira
sementes das novas que cedo se espalham
mas ainda florescem pelas Cordilheiras.

Somos do campo e bem vividos dele!
Somos os fiadores das últimas tropas
e por isso sempre, vai seguir queimando
feito uma saudade, esta marca de copas.

Terá sempre um piá a se chamar Valério
e sempre outro neto, a nos levar em frente...
Porque hoje queima esta marca de copas
que é mais que um brasão, no memorial da gente.


Gujo Teixeira (2000)


segunda-feira, 25 de junho de 2012


O mundo estava errado. Lá dentro daquela casinhola vivia uma mulher que o amava, e ali fora estava ele a arder de desejo por ela. Não havia na natureza nenhuma razão por que não se juntassem e amassem. No entanto, erguia-se entre ambos um muro, e um muro transparente, feito de convenções, mentiras, hipocrisias, fraquezas. Estava tudo errado, tragicamente errado. No fundo, a resolução do problema era coragem. E coragem era o que não lhe faltava.


A Sombra do Anjo - O Retrato

domingo, 15 de abril de 2012


O grito de "venha boi" perdeu-se na poeira dos tempos...
Os fletes já não pisam a baba dos tambeiros pelas estradas polvorentas de saudade
Nem um sincero sequer faz contraponto aos rangidos de bastos e relinchos de tropilhas
E muitos lombilhos gastos, hoje encilham cavaletes em quartos pobres de vilas, potreiros do nunca mais, pra aonde o bendito progresso apartou os gaúchos de ontem!


Don Blanco - Lisandro Amaral