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terça-feira, 1 de janeiro de 2013

João Barreiro



João Barreiro...João Barreiro...
Velho pássaro bizarro
Que dum ranchito de barro,
Amassado com carinho,
Fizeste galpão e ninho
Na maior indiferença,
E nem pediste licença
Pra mim que sou teu vizinho!

Pois na cabeça de um poste,
Na entrada do parapeiro,
Te arranjaste bem a jeito
Erguendo teu rancho forte,
Meio de esguelha p’ra o norte
Porque és muito previdente...
Eu até fiquei contente;
Dizem que dás muita sorte!

-Jayme Caetano Braum-






"Vim lá de fora, vim da campanha
Vim de a cavalo, mas bem capaz
Vim desconfiado, trocando orelha
Ora pra frente, ora pra trás!"


Nascentes efêmeras 
Em clareiras súbitas 
Entre as luzes tardas 
Do imenso crepúsculo.


 Negros megalitos 
Em doce decúbito 
Sob o peso frágil 
Da pálida abóbada 



Calmo subjacente 
O vale infinito 
A estender-se múltiplo




Inventando espaços 
Dilatando a angústia 
Criando o silêncio....




Vinícius de Moraes
"Pôr-do-sol em Itatiaia"



sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Sobre uma marca de copas...



A mesma marca, antiga, de metal e copas
ainda queima, o couro pampa, deste gado
foram cem anos, sustentando a história
de campo e de casco, nos deixado por legado.

Somos do campo, como foram os nossos..
De raízes largas, com um cerne, Teixeira
sementes das novas que cedo se espalham
mas ainda florescem pelas Cordilheiras.

Somos do campo e bem vividos dele!
Somos os fiadores das últimas tropas
e por isso sempre, vai seguir queimando
feito uma saudade, esta marca de copas.

Terá sempre um piá a se chamar Valério
e sempre outro neto, a nos levar em frente...
Porque hoje queima esta marca de copas
que é mais que um brasão, no memorial da gente.


Gujo Teixeira (2000)